Há algum tempo atrás reparei uma pesquisa que me deixou um tanto perplexo. Dizia ela que os alunos mais bem sucedidos na vida profissional eram, em regra, aqueles que compunham o glorioso “fundão” da sala. Pois bem, não sei se essa pesquisa é verdadeira e condiz com a realidade do mundo de hoje: um mercado cruel, que engole os medíocres e deixa sem sucesso aqueles que não demonstram a capacidade de alcançá-lo.
Nesses meus poucos anos de estrada, procurando conhecer e entender um pouco mais acerca desses mecanismos no mercado e do sucesso profissional, especialmente para aqueles (como nós!) que estamos saindo das Universidades, descobri que nem sempre os mais inteligentes são os mais bem sucedidos; descobri que nem sempre os “puxa-sacos” são os que se dão melhor nas provas, ou que os mais cotados como os “melhores da turma” são os mais capazes de enfrentar a vida e conquistar o seu lugar ao sol.
Isso me fez analisar, então, algumas características de pessoas que se deram bem na vida profissional, das quais tento concluir de forma pragmática e simples o perfil de um universitário promissor.
Um universitário promissor é aquela pessoa que, sem sombra de dúvida, detém conhecimento. Tem que ter conteúdo, conhecer vários assuntos, desde os jurídicos (no nosso caso muito importante!) até aqueles conhecimentos gerais. Isso pode fazer diferença na vivência com as pessoas, que já terão uma visão mais positiva de você. Sem conteúdo, não importa quantos contatos tenha, você não irá muito longe.
Um universitário promissor tem que ser proativo, saber correr atrás daquilo que quer, demonstrar interesse, enfim, estar sempre um passo a frente. Para que isso aconteça, é necessário que você descubra o que realmente gosta, se aprofundar naquilo, e aí sim, correr atrás. É vestir a camisa, tomar a iniciativa, se interagir com o mundo, e ter a percepção do que precisa ser feito e se disponibilizar para fazê-lo. Você irá tomar um susto ao se deparar com tantas portas que se abrirão. Ser proativo é condição fundamental para competir com seis bilhões de pessoas e se destacar entre elas.
Um universitário promissor é aquele que sabe aproveitar as oportunidades que passam pela sua frente todos os dias. Sempre haverá uma porta aberta, e entram por ela não os inteligentes, mas aqueles que estão no lugar certo, na hora certa e agarram essas oportunidades com as duas mãos. Geralmente essas oportunidades não aparecem duas vezes na vida.
O professores que temos são grandes oportunidades. Já vi mais de uma vez professores com carreira de sucesso que repararam alunos brilhantes e deram a eles oportunidades. Alguns deram bons resultados – hoje trabalham com eles e estão muito bem. Aproveitar os conselhos e oportunidades dos nossos professores é uma dica interessante!
Um universitário promissor é também aquele que consegue formar bons relacionamentos. Não adianta ser “super-inteligente” se ninguém te conhece! Isso não significa ser de todo interesseiro ou fazer “politicagem”. As pessoas sabem distinguir a sinceridade da hipocrisia. Pessoas de bons relacionamentos são mais visíveis, mais disponíveis e de melhor acesso, e aqueles que fazem bons relacionamentos tem chance de se aproximarem de pessoas que já alcançaram sucesso para crescer juntamente com elas. É se aliar ao invés de competir a todo momento.
Um universitário promissor sabe que estudar é muito importante, e o faz com disciplina. Mas é também aquele não vive só para estudar. É quem sabe curtir a vida – sair para namorar, descansar, buscar um apoio espiritual, fazer um esporte ou conhecer pessoas novas, enfim, relaxar com algo que você realmente gosta de fazer. Isso traz saúde mental, e afeta diretamente o seu rendimento intelectual. Com isso, se torna mais interessante para as pessoas, consegue se expressar melhor e consequentemente ir a lugares mais distantes. Quem nunca se deparou com uma pessoa inteligentíssima, mas incapaz de se comunicar ou de fazer relacionamentos? Ser uma pessoa “normal” é fundamental. Mantém a nossa saúde e alegria, especialmente de viver uma vida melhor, mais saudável, e isso afeta diretamente quem seremos profissionalmente.
Dia desses, conversando com o presidente de uma das maiores multinacionais do mundo, dizia-me ele que faltavam pessoas qualificadas, em que ele pudesse confiar e que fossem diferenciadas, aptas a efetuar grandes realizações, seja construindo relacionamentos, se destacando no ambiente onde vive ou adquirindo sucesso para a empresa a que presidia. Enquanto ele me falava essas coisas, descobri que há vagas excelentes nesse mercado cruel, traiçoeiro e diversificado. O que faltam são pessoas capazes de conquistá-las, produzindo algo inovador, criativo e que faça alguma diferença nesse mundo.
Nós – universitários – temos “a faca e o queijo na mão”. Somos o presente do país (e não o futuro, como dizem alguns), e cabe a nós conquistarmos o nosso espaço e fazer a diferença num lugar onde poucos se destacam, seja por ineficiência ou por não saber aproveitar as oportunidades. Tenho medo que o Brasil continue o mesmo por razão da última hipótese. Mas prefiro crer que nós o mudaremos.
Escrito por Daniel Lança
Por que escrevo?
“Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo.
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz”.
(Orhan Pamuk)
Scripta manent, verba volant (os escritos ficam, as palavras voam)
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz”.
(Orhan Pamuk)
Scripta manent, verba volant (os escritos ficam, as palavras voam)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
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