Por que escrevo?
“Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo.
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz”.
(Orhan Pamuk)
Scripta manent, verba volant (os escritos ficam, as palavras voam)
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz”.
(Orhan Pamuk)
Scripta manent, verba volant (os escritos ficam, as palavras voam)
sexta-feira, 25 de maio de 2007
ENTRE HERODES E PÔNCIO PILATOS : UM DILEMA ELEITORAL
Aprouve à Providência Divina poupar-me de votar no segundo turno das eleições presidenciais de 2006: tive de me ausentar do Brasil para cumprir um compromisso anglicano. Se aqui estivesse, viveria um triste dilema: teria de optar entre o sujo e o mal lavado, ou entre o péssimo e o menos péssimo. Creio na democracia, que está em aperfeiçoamento, como o melhor regime político; e no voto periódico, universal e secreto como uma das grandes conquistas da humanidade. A abstenção e o voto nulo ou em branco se justificam em situações excepcionais. No segundo turno é normal que quem teve o seu candidato derrotado no primeiro tenha de fazer uma opção que não é originalmente a sua. Parece-nos evidente que há uma distância entre o avanço brasileiro presente na Justiça Eleitoral, na legislação eleitoral e no sistema eletrônico, e o atraso na desinformação política, na inconsistência programática e ideológica dos partidos, na falta de ética ou de fidelidade partidária, na compra de votos, nas candidaturas corporativas, na manipulação da mídia e na hegemonia dos setores dominantes. No primeiro turno tivemos uma campanha morna, com os dois candidatos mais cotados posando estilos diferentes, trocando ataques no campo ético, com promessas vagas, procurando convencer o eleitor sobre quem faria melhor as mesmas coisas, com ênfases secundárias. Por trás da aparente diferença estava o fato não confessado, e não enfrentado, de possuírem o mesmo programa macroeconômico — aplaudido pelos bancos e pela imprensa conservadora —, que não conduz nem ao desenvolvimento nem à justiça social, aqui ou na China... O contraste era uma farsa e os debates, lutas do Tele-catch. Outros candidatos atuavam como figurantes, no papel dos índios em filme de cowboy. Louve-se a tentativa dos senadores e professores universitários Cristovam Buarque e Heloisa Helena de demarcarem candidaturas diferenciadas, profético-pedagógicas — nem sempre com êxito, tanto como resultado da falta de condições e da tentativa de desqualificar os outros, como pelas limitações e equívocos no encaminhamento. A malfadada política econômica Malan-Palocci não foi devidamente questionada, nem foram devidamente veiculadas propostas sérias alternativas, como as elaboradas por Carlos Lessa ou César Benjamin (vice de Heloísa). A pessoa física do presidente Lula não tem nada a ver com o passado militante, ou as propostas uma vez defendidas, desde a “Carta aos Banqueiros”, digo, “ao Povo Brasileiro”, da campanha anterior. As denúncias de corrupção atribuídas à gestão Fernando Henrique não foram apuradas; a política econômica foi mantida e a promiscuidade das alianças foi aprofundada; a ética foi mais do que arranhada, em um governo que rompeu com a classe média, desmobilizou a antiga base popular, isolou ou expulsou os setores do PT ainda leais ao seu legado histórico e procurou cooptar o movimento sindical, com suas ex-lideranças acomodadas aos cargos de confiança do aparelho de Estado. A operação Robin Hood das políticas compensatórias, diferentemente daquela da floresta de Sherwood, não tirou dos ricos para dar aos pobres, mas tirou da classe média, deixando os ricos prosseguir incólumes em sua concentração de renda, propriedade, privilégios e poder. Depois de me esgotar rodando o Brasil nas campanhas de 1989 e 1994, sou surpreendido com a confissão de Lula: “Nunca fui de esquerda”. É compreensível que tenha saído Frei Betto e entrado Marcelo Crivela... Como funcionário público de classe média, professor universitário, aposentado, socialista democrático e evangélico, não tinha mais razão para votar em Lula. E muito menos para votar em Alckmin, que era uma versão piorada dele, na proposta de governo e nas alianças e interesses. Um engomado gerente “pós-ideológico” da ala direita do PSDB. Com Lula ainda há setores populares minoritários dentro da sua “plural” administração que demonstram algum respeito (sem respostas práticas) pelos movimentos populares. No grupo do seu oponente os mesmos são ausentes ou criminalizados. Lula faz um “H” de maior independência. Seu oponente signifi caria um alinhamento mais subalterno para com o Império. Eu me encontraria diante do dilema: melhor Herodes ou Pôncio Pilatos? O programa “Por Um Brasil Não Homofóbico” (com verbas públicas para as “paradas de orgulho”) ou a infl uência da reacionária Opus Dei? Nas eleições legislativas, seguindo um modelo em que mais votados perdem e menos votados ganham, São Paulo nos brindou com os estadistas Maluf e Clodovil. E o fato mais alvissareiro foi a redução, em mais de 50%, da “bancada evangélica”, com a derrota de “candidatos ofi ciais”, gente escassa em capacidade e em testemunho. Agora os partidos que não são, e o governo e a oposição que não são, ensaiam um novo “pacto” das elites. Aos cristãos progressistas resta participar da construção de alternativas, co-beligerantes, comprometidos com os valores do reino, demonstrando que um outro Brasil é possível!
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